Quando eu vi

 Te conheci em um momento tão despretencioso da minha vida. Eu estava vivendo em um lugar tão distante de onde você estava, e quando percebi já não parávamos mais de nos falar, de nos procurar.
O grande problema dos inicios é que pouco damos importância as coisas que são inegociaveis subjetivamente para nós. Eu confesso que para muita coisa eu quis fechar os olhos porque o sentimento que me atravessava o peito era mais importante do que qualquer outra coisa. Ingenuidade a minha, com mais de 30 anos na cara achando que eu estava vivendo o conto de fadas. Mudei tantos rumos da minha vida e me deixei guiar por tudo que eu estava sentindo naquele ano, naquele momento, naquela fase. Achei que eu tinha tudo sob controle, que eu saberia o que fazer, que eu nem iria me demorar tanto na cidade grande novamente. 
Mas eu fui me permitindo, eu e essa mania desastrosa de me permitir viver o que sinto.
Quando vi, eu já estava lutando muito para que esse nosso inicio de relação permanecesse em pé, quando eu menos esperei eu já havia me tornado a mulher que não tem senso de humor, que tudo questiona, que não deveria falar alto, sorrir alto, falar sem tanto pudor, expressar minhas emoções. 
Quando eu vi, eu já não era mais somente eu, eu era o que você achava melhor que eu fosse. 
Quantas vezes eu fui invisível na sua vida, no seu meio social, nas suas redes. 
Precisei chegar ao ponto de cobrar pelo mínimo e me senti um lixo por isso.
Amar você e querer mostrar esse amor para o mundo, nunca foi o meu problema. Esperar que você fizesse o mesmo comigo é que foi.
Eu já não sei mais o que será de nós, eu só sei que eu estou não só do lado de dentro do barco, mas também de fora vendo ele afundar.

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